10. João da Matta: luta pela terra no cinema campineiro

No ano de 1923 estreava, em sessão especial do Teatro Rink, o primeiro filme realizado em Campinas-SP: o longa-metragem João da Matta, de Amilar Alves. Tratava-se de uma obra ficcional, trazendo em seu enredo o conflito fundiário entre o camponês João da Matta e o personagem do Coronel, que pretendia lhe retirar as terras. O longa, baseado em uma peça teatral do mesmo diretor, foi bem recebido pela imprensa, segundo os arquivos da época, e inauguraria o primeiro Ciclo de Cinema de Campinas, presente nos anos 20, do século 20.

Os rolos da película, infelizmente, foram afetados por um incêndio ocorrido na Cinemateca Brasileira. De João da Matta ainda restam alguns trechos, muitos dos quais importantes para o filme, como a luta final entre João e o Coronel. Estas partes “sobreviventes” estão disponíveis na Cinemateca Brasileira para fins de pesquisa e podem nos auxiliar a compreender um pouco desta primeira tentativa de construção de um cinema campineiro.

No dia 17 de novembro de 1921, no Teatro São Carlos, de Campinas, foi encenada pela primeira vez João da Matta, de Amilar Alves, peça que daria origem, mais tarde, ao filme homônimo. Quando o texto teatral foi publicado em livro, em 1934, numa coletânea de alguns trabalhos do autor (incluindo aí, também, as comédias Ciúmes e Arrufos, Tagarelice de Papagaio e Qui, Quae Quod), vemos uma referência ao reconhecimento vindo da Academia Brasileira de Letras em relação à obra. Ainda um ano antes de sua estreia, o texto de João da Matta figurara no Concurso de Peças Teatrais da ABL. Do seu parecer sobre a obra, a instituição ressaltou os méritos pela escolha do linguajar popular do interior, assim como elogiou fortemente o caráter político da peça, onde abordavam-se os conflitos por terra e a injustiça no campo, finalizando com uma saudação ao campo, temperada de idealização.

Considerando interessantíssimo este drama, que o autor data de Campinas. Refere um pequeno episódio tragico do interior e é cheio de vida em movimento. Quasi todas personagens são caipiras e fallam a sua linguagem typica, o que dá um sabor particular á peça. Tem-se, na obra, um pedaço impressionante do verdadeiro Brasil, com a sua boa gente nativa, atropelada e espoliada a cada instante pela brutalidade do intruso vindo da cidade para desapossar os donos legítimos das terras no sertão. Esse intruso baralha divisas e inventa demandas, ganhando sempre os pleitos contra o pobre tabaréo. Impando de prepotencia, opprime sem cessar a gente humilde, que teve a desgraça de nascer para lá da faixa littoreana, hoje o egoísmo civilizado fantasia a existência de uma nação que entretanto cada vez mais se dissolve na onda cosmopolita e vai perdendo as suas velhas e pittorescas características (…)

A peça é realizada em três atos, embora curtos, com 12 personagens e a ação transcorre-se na atualidade de então (anos 20), situando-se na zona rural da Região de Campinas. A base do enredo era o litígio sobre as terras onde o personagem-título residia e trabalhava, junto com a sua família, cobiçadas por um grande empresário da cidade, nominado na peça como Coronel. O espetáculo inicia-se com a discussão entre o protagonista e seu antagonista, após uma decisão judicial desfavorável a João da Matta. Durante a briga, para intimidar o sitiante, o Coronel mente, alegando ser João um assaltante. Como o vilão da peça costumava se valer de uma série de artifícios ilícitos, baseados em seu poder, João da Matta resolve ficar uns meses escondido, na Bahia, para também investigar os fatos. Ao retornar para o estado de São Paulo, o camponês traz os documentos comprobatórios do direito de sua família à terra, além de descobrir manchas no passado do Coronel, envolvido num assassinato em seu passado. Enfurecido, o empresário parte para cima de João com uma arma de fogo, cena desenvolvida no clímax da história. Na briga entre os dois, o camponês acaba desarmando e enforcando o vilão, matando-o acidentalmente. Com a chegada da polícia, no desfecho da peça, o acontecido é percebido pelas autoridades, mas o delegado acaba por dar razão a João da Matta e o deixa livre de condenação.

Completavam o quadro do espetáculo alguns personagens da família de João e amigos, além dos policiais, o filho do Coronel e outras pessoas no contexto da trama. Com maior destaque temos a mãe do protagonista, chamada Anna, sempre temerosa do que poderia acontecer ao filho, além da noiva Laurinda, junto ao seu pai Lázaro e os amigos Felisberto e Gervásio. Os diálogos entre os personagens ajudam a compreender os meandros da narrativa, mas também refletem sobre a situação do camponês constantemente espoliado.

Na cena cinco da peça, do primeiro ato, Felisberto e Anna tentam consolar João da Matta diante da situação vivida e recebem uma resposta que transparece a revolta daquele homem do campo:

“ANNA -Que é isso, meu filho? (Chegando-se a elle) – Está chorando?
FELISBERTO -Tenha paciência, João. Olhe, p’ra mecê e sua mãe, não falta casa nem terra nesta redondeza. Mecês têm muitas amizades. Quem é bão acha sempre a ajuda de todos.
JOÃO DA MATTA, levantando-se impetuoso -Mas dá réiva, dá odio, um compromettimento deste. Tuda as coisas que o Coronel diz é verdade e o que a gente diz é mentira! Mentira! Proque semos pobres?! Entonce só quem tem dinhêro é que é bão e é verdadero, e os outros, não? Os outros são ruins? Mas adonde está essa lei, essa Justiça que todos falam?! E’ ansim que os homis da cidade são instruidos?! Instruidos só p’ra darem rezão p’ra quem tem dinhero e paga mais?!…. Antes entonce cê como semos.”

Em outro trecho, na primeira cena do mesmo primeiro ato, a mãe Anna conversa com Lázaro, sogro de seu filho, num diálogo que desenvolve o tema da injustiça fundiária e a situação do camponês:

“LÁZARO -Pois quem não sabe lê e escrevê tem que vivê, como esse pobre, da ajuda dos outros e, por le faltá, um braço, póde também ficá sem tudo de seu e sem valia p’ra toda vida.
ANNA -Si eu perdê meu sítio não é por não sabê lê e escrevê. O Coronel está me faseno mar proqueelle é ladrão (…)”

A peça João da Matta insere a temática da luta fundiária, apresentando um quadro social onde muitas das pendengas baseavam-se em questões burocráticas e justificativas arbitrárias para obtenção dos “papéis”. No contexto apresentado pela peça, aqueles possuidores de mais dinheiro e poder conseguiam de forma irregular os títulos de propriedade, em detrimento daqueles que viviam e trabalhavam há muito tempo em cada terra. O autor Amilar Alves tomou contato com esta realidade ao trabalhar como corretor de imóveis em Campinas, no início do século 20, onde percebeu serem constantes as espoliações sofridas por sitiantes mais humildes.

Amilar Alves nasceu em 1881, em Campinas e faleceu em 1941. Além de corretor de imóveis, cineasta e dramaturgo, Alves também trabalhou como jornalista em veículos como Correio Popular, Diário do Povo e Correio de Campinas, sendo, também, um dos fundadores do Centro de Ciências, Letras e Artes, de Campinas. Ele dirigiu diferentes grupos de teatro e foi autor de uma série de peças, como comédias e o drama Fernão Dias, mais tarde adaptado para o cinema por seu filho, Alfredo Roberto Alves.

Segundo a reportagem de Eustáquio Gomes, no jornal campineiro Correio Popular de 1981 (publicada por ocasião do centenário de Amilar Alves), foi o prêmio recebido pela ABL o grande estímulo para transformar a peça João da Matta em filme. Para isso, Alves constituiu a produtora Phenix Film junto a outros sócios três sócios: Vitorino de Oliveira Prata, Francisco Castelo e José Ziggiatti. Quando o diretor adquiriu uma quantidade grande de película, seus parceiros “levaram a mão à cabeça”, percebendo que não se trataria de um curta, mas de um longa-metragem, algo extremamente raro para a época.

Para o elenco do longa foram convocados atores de companhias teatrais da cidade, como Ângelo Fortes, atuando como o protagonista, além de atores amadores. No papel da mãe atuou uma moradora da região rural de Campinas, cujo nome citado pelo Correio Popular é apenas Nhanhã, uma “caipira típica”, segundo o jornal da época. As filmagens ocorreriam aos domingos, devido às atividades cotidianas individuais dos membros da equipe, na estrada entre Campinas em São Paulo, além de Capivari e fazendas da região. A equipe precisou agir com inventividade, adaptando e criando as ferramentas audiovisuais, naquela que seria a primeira produção cinematográfica da cidade e único filme realizado por Amilar Alves.

Thomaz de Túllio foi o cinegrafista, diretor de fotografia, técnico de laboratório e de efeitos especiais, sendo o pioneiro a adaptar iluminação artificial para estúdios de cinema no Brasil. Em entrevista para o curta João da Matta: um documento, de Marcos Craveiro (1984), ele conta sobre a necessidade de se adequar às limitações da época: “Para poder produzir o filme, já que naquele tempo não existia os estúdios, que existia em São Paulo, eu montei um pequeno laboratório com recursos para revelar, copiar, cortar o filme”. De Túllio lembra também, da utilização dos próprios cenários do teatro: “Às vezes ficava até meio cômico, porque quando se abria uma porta, ou se jogava qualquer coisa na parede, tudo balançava”.

O diretor de fotografia também ressalta, na mesma entrevista, a qualidade de algumas cenas, como a luta entre João e o Coronel e a dificuldade de trabalhar com um material pesado, que necessitava de algumas pessoas para manusear:

“Observa-se que a cena da luta ainda é muito boa. Mas, precisa-se considerar, além disso, que filmado com uma câmera pesadíssima, sem movimento vertical, sem movimento horizontal. Para filmar esta luta, foi necessário duas pessoas segurando a câmera e eu, naturalmente, ao mesmo tempo em que virava a manivela, tinha que empurrar a câmera para mais perto, mais longe, levantar, ir para o lado, enquanto que os dois auxiliares ajustavam o pé da câmera para não escorregar de um lado, de outro…”

Além do Teatro Rink, local de sua estreia, João da Matta também foi exibido no Cine Coliseu, em Campinas, nos cinemas Fênix e Colombo, em São Paulo e no Cine Central, no Rio de Janeiro, entre os anos de 1923 e 1924. A passagem da película pela Capital Federal carioca mereceu a lembrança do jornal Correio da Manhã, publicado no dia 10 de novembro de 1923, através de dois parágrafos elogiosos. O texto sobre o longa campineiro abria a editoria cinematográfica do periódico, intitulada “No mundo da téla”, trazendo também, como destaque, a foto do ator Ângelo Fortes:

“(…) É um drama empolgante, em 8 partes, com cerca de 2.200 metros. É de admirar devéras, pelos progressos feitos na cinemathografia nacional, pois o trabalho do qual tratámos é bem um attestado de que se póde produzir no paiz films estupendos que nada ficam a dever às melhores produções importadas dos Estados Unidos. Se existem alguns defeitos na confecção, estes em nada alteram a beleza do trabalho e a sua grandiosidade.

O que mais agrada, é a escolha feliz do assunto que, diga-se a verdade, é simplesmente bello e o que é melhor: é todo nosso, todo brasileiro.”

joao da matta jornal

João da Matta inauguraria o primeiro ciclo do cinema campineiro, também protagonizado por diretores como E. C. Kerrigan, Felipe Ricci e o próprio Thomaz de Túllio, movimento este que duraria até o fim dos anos 1920. Ao falar sobre esta geração e outras posteriores do cinema na cidade, a historiadora Sônia Aparecida Fardin, do Museu da Imagem e do Som de Campinas, indaga: “Sonho de fama? Do enriquecimento? Da criação artística? De uma cidade cosmopolita? Sonhos… tantos quanto foram capazes de viver os que se entregaram nos loucos anos vinte aos encantos do ‘moderno’, à mescla de indústria, arte cultura e mercado”.

O tema do “sonho” está no título do livro Imagens de um sonho: iconografia do cinema campineiro (1923 a 1972), produzido pelo MIS, onde estão presentes estas reflexões de Fardin, organizadora do trabalho. Na mesma publicação, em um texto de apresentação ao Ciclo dos Anos 20, o historiador Carlos Roberto dos Santos retoma artigos da Gazeta de Campinas, de 1923, revelando a animação com os tempos de modernidade. No jornal estão presentes loas ao “progresso”, ao “embelezamento das ruas” e o desenvolvimento do campo artístico. Ao mesmo tempo lembra o desinteresse da “elite cultural” campineira em relação aos filmes, pois ela “participava pouco do entusiasmo que transformou o cinema na principal diversão da primeira metade do século 20”, preferindo, este grupo social. “a música, a escultura, a pintura, a poesia”. Contrapondo-se a este desinteresse, o autor mostra a presença de uma juventude entusiasta com o jovem e moderno meio cinematográfico.

A modernidade é um processo histórico perpassado por inúmeras contradições. As emblemáticas reformas urbanísticas do prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, iniciadas em 1906 e inspiradas no modelo francês do final do século anterior, trouxeram a modernização do espaço citadino, ao mesmo tempo em que promoveram o higienismo social, com a exclusão da população pobre. As décadas seguintes viram transformações semelhantes nos grandes municípios, a exemplo do que ocorreria em Campinas, especialmente no final da década de 30.

João da Matta, de certa forma, possui estes contrastes do período. O cinema iniciado nos anos de 20, em Campinas, só ganharia um movimento cíclico semelhante 30 anos depois, no ciclo da década de 50. Tratava-se de um “sonho” dos pioneiros, alimentado por desbravadores da nova técnica, em uma potência criativa e uma vontade de fazer “ver”, de se expressar com imagens em movimento. O cinema, desta forma, aparece como símbolo desta modernidade sonhada.

Contudo, na temática do filme, a modernidade também aparece como um processo histórico que afeta a realidade dos trabalhadores no campo, como apontado em várias reflexões da época, sobre o filme e a peça. Assim, a obra de Amilar Alves retrata a intromissão da burguesia urbana no campo, com seus homens de poder e influência. Estes elementos podem ser vistos num diálogo entre João da Matta e Lázaro, presente no texto teatral: o primeiro reclama sobre a “gente da cidade”, aqueles que “são instruídos e não vêm olhá a gente da roça”. “O caipira é p’ra elles um paiaço, fala errado, é um tonto (…)” aponta o protagonista. Lázaro, então, completa: “Os homes da cidade deram rezão p’ro Coronel por via delle tê mais gente do seu lado”.

Em síntese: a modernidade é criação e destruição.

No curta documental de Marcos Craveiro João da Matta: um documento, além da entrevista com Thomaz de Túllio, temos também uma longa conversa com o ator principal Ângelo Fortes, então com 82 anos. O intérprete, que já trabalhava com teatro antes do longa, lembra saudoso a época do filme, contando detalhes da produção. Ao comparar as dificuldades de 1923 com os tempos da atualidade (a entrevista e o filme de Craveiro são de 1984), opina: “Eu acho que os artistas de hoje têm muita facilidade, compreendeu? É aparelho daqui, aparelho de lá, som daqui, som de lá”.

Fortes, ao fazer esta provocação, talvez não imaginasse o universo audiovisual vivido 31 anos depois de seu depoimento de 84, com a profusão atual de imagens e câmeras em diferentes dispositivos tecnológicos, onde esta “facilidade” chegou às mãos dos mais leigos, atingindo grande parte da população. Hoje, o referido acesso às mídias é alardeado aos quatro cantos, na imprensa, na Academia ou mesmo numa conversa em mesa de bar. Se de um lado trouxe a possibilidade de manifestação, através das imagens, de diferentes sujeitos em nossa sociedade, também moldou uma sociedade saturada de informações imagéticas, onde cada momento da vida é registrado, visto e compartilhado.

No campo das lutas sociais, também puderam ser percebidas transformações importantes com os novos meios, em todo o mundo, num processo que se inicia nos anos 90 e se intensifica nos dias de hoje. Isso vem se dando na denúncia das injustiças e da visibilidade das manifestações por mudança, através de câmeras mais leves, celulares e distribuição via internet. Entretanto, se olharmos a história do cinema, percebemos que desde a infância desta arte existem trabalhos produzidos por movimentos sociais, além de temas de caráter político e militante.

Embora João da Matta não seja um filme militante de modelo clássico, sua história baseia-se em situações reais vividas pelo diretor Amilar Alves ao trabalhar no setor imobiliário. Sua escolha, naquele momento, foi pelos mais vulneráveis nas disputas por terra, tomando partido, em seu filme, dos agricultores pobres explorados. Passados 92 anos da estreia do longa-metragem, o quadro fundiário brasileiro continua injusto, com a prevalência dos latifúndios e a presença de inúmeros conflitos violentos, em todos os cantos do país. Esta situação redundou na criação de movimentos populares de luta pela terra durante todo o século 20 e, com isso, a necessidade destes povos contarem o seu ponto de vista da História. Na contemporaneidade, as câmeras são algumas das ferramentas utilizadas dentro destas narrativas desviantes, que se contrapõem aos discursos da mídia hegemônica, como no caso da Brigada de Audiovisual da Via Campesina, formada em 2003, reunindo diferentes movimentos de luta pela terra, como o MST, o MAB e a Pastoral da Terra. Hoje, muitos “Joões da Matta” estão munidos com suas câmeras, na luta por uma sociedade mais justa, seja no campo o na tela.

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Fotografia 1: Fragmento de João da Matta

Fotografia 2: Material promocional  de João da Matta, da época de sua estreia, destacando as críticas positivas na imprensa 

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Referências Bibliográficas

ALVES, Amilar. João da Matta. In: Theatro. Campinas: Lynotypia da Casa Genoud, 1934.

FARDIN, Sônia Aparecida et al (org.). Imagens de um sonho: iconografia do cinema campineiro (1923 a 1972). Campinas: Museu da Imagem e do Som, 1995.

GOMES, Eustáquio. “Há 100 anos, nascia o ‘pai do longa-metragem’ ”. Correio Popular. Campinas, 22 de novembro de 1981.

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Este artigo faz parte do projeto CineMovimento. Saiba mais

 

 

 

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